Sondagem: Seguro reforça vantagem e Ventura regista maior queda na reta final da campanha

Ao décimo dia de sondagens, o líder do Chega caiu 1,5 pontos percentuais, fixando-se nos 28%, enquanto o candidato apoiado pelo PS subiu para 53,5%.

Executive Digest
Fevereiro 5, 2026
21:22

António José Seguro reforçou ligeiramente a liderança nas intenções de voto para a segunda volta das eleições presidenciais, no mesmo dia em que André Ventura registou a maior descida desde o início da tracking poll diária da Pitagórica para o JN, TSF, TVI e CNN Portugal. Ao décimo dia de sondagens, o líder do Chega caiu 1,5 pontos percentuais, fixando-se nos 28%, enquanto o candidato apoiado pelo PS subiu para 53,5%.

Os dados da décima e penúltima sondagem diária mostram que a distância entre os dois candidatos voltou a aumentar, atingindo 25,5 pontos percentuais, o que corresponde a quase o dobro das intenções de voto a favor de António José Seguro. Este alargamento resulta sobretudo da quebra registada por André Ventura, mais do que de um crescimento expressivo do socialista.

Seguro chega à reta final como claro favorito

A sucessão de sondagens indica que apenas António José Seguro chega ao fim da campanha com perspetivas reais de vitória. Apesar de o candidato socialista ter perdido 7,4 pontos percentuais desde 26 de janeiro, manteve sempre uma vantagem confortável, enquanto André Ventura nunca conseguiu ultrapassar a barreira dos 30%.

Mesmo tendo conquistado parte dos eleitores de João Cotrim Figueiredo, Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo, o líder do Chega não conseguiu inverter a tendência nem reduzir de forma significativa a diferença para o adversário.

Socialista vence em todos os grupos analisados

Os resultados da Pitagórica dão António José Seguro vencedor em todos os segmentos analisados: idades, regiões, classes sociais e género. A vantagem é particularmente expressiva entre as mulheres, onde o socialista recolhe 47,1% das intenções de voto, face a 33% de André Ventura. Entre os homens, a diferença é menor, mas ainda favorável a Seguro.

Por idades, o candidato apoiado pelo PS é mais forte entre os eleitores mais velhos, enquanto André Ventura tem maior expressão no grupo dos 35 aos 54 anos. Em termos regionais, Seguro destaca-se no Norte, com 56,4%, contra 27,9% de Ventura. No Sul e ilhas, o líder do Chega atinge 29,8%, mas continua atrás do socialista, que soma 52,9%.

Nas classes sociais, António José Seguro domina entre os eleitores com rendimentos mais elevados, com 60,1%, enquanto André Ventura tem melhores resultados entre o eleitorado mais pobre, onde obtém 33%, face a 49% do adversário.

Indecisos e votos em branco voltam a subir

Na reta final da campanha, com Ventura em queda e Seguro praticamente estagnado, quem mais cresceu foram os indecisos, que atingem 8,9%, e os votos brancos ou nulos, que sobem para 9,6%. Só no último dia, a percentagem de eleitores que ainda não sabem em quem votar aumentou 1,1 pontos percentuais.

Os indecisos são sobretudo mulheres com mais de 35 anos, residentes no Centro, Sul ou ilhas, e pertencentes à classe média. Caso os votos em branco, nulos e indecisos fossem distribuídos proporcionalmente pelas intenções de voto, António José Seguro alcançaria 65,6%, enquanto André Ventura ficaria pelos 34,4%.

Apesar disso, 91% dos inquiridos acreditam que será António José Seguro a vencer as eleições no dia 8, contra apenas 5% que apostam numa vitória de André Ventura.

Transferência de votos da direita não chega para Ventura

No início da campanha, existia incerteza quanto ao destino dos eleitores de João Cotrim Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e Marques Mendes. As sondagens iniciais apontavam para uma forte inclinação desses eleitores para António José Seguro, mas a campanha acabou por transferir parte desses votos para André Ventura e para os indecisos.

Entre os eleitores de Cotrim Figueiredo, a percentagem que escolhe Seguro caiu de 60% para 40%, sendo a maior parte dessa quebra absorvida por André Ventura, que duplicou as preferências neste grupo. Nos votantes de Gouveia e Melo, o socialista continua a liderar, mas 18,5% estão agora indecisos. Já entre os eleitores de Marques Mendes, verificou-se também uma redução do apoio a Seguro, com parte a migrar para Ventura.

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